Forum Social Mundial, Montreal Canadá

Uma parábola sobre o neoliberalismo e nossa civilização ocidental globalizada!

Se quiser, indique pontos de convergência e/ou divergência com a nossa realidade do século XXI… Obrigado, Ir. João Paulo Martins

A parable about neoliberalism and our globalized western civilization!

If you wish enter points of convergence and / or divergence with our reality of the XXI century… Thanks, Bro. João Paulo Martins

Daesh: origem, significado e expansão

 

Manifestação de jovens, vítimas da violencia do Daesh e do estado turco, o estado islamico e o terrorismo pelas armas na Siria; ruas de Paris e a Torre Eiffel

Rua de Paris: Manifestação de jovens, vítimas da violência do Daesh e do estado turco

O tema do terrorismo não é fácil de abordar, uma vez que, para além de ser muito complexo, presta-se a muitas interpretações e leituras diversificadas. Acredito que, tal como eu, também tu te encontraste com muitas perguntas nas últimas semanas, em resultado não só dos ataques ocorridos no centro de Paris e de Bamako (Mali) mas talvez até, mais ainda, em resultado das ‘leituras’ e conclusões tiradas pelos media, a partir daquelas tragédias. De facto, como eu, também tu podes verificar a discrepância entre o silêncio e a tentativa da gente comum de enfrentar com dignidade tais dramas, por um lado e, por outro, a insistência e divulgação espalhafatosa levada a cabo pelos media, durante praticamente duas semanas.

Por outro lado, tanto os políticos, como os responsáveis da cultura e da sociedade parecem ter dificuldade em aprender as lições da história, beneficiando assim da experiência de outros que atravessaram dramas terríveis. Tenho em mente, de maneira muito especial os dois maiores conflitos bélicos do século XX e também algumas das instituições que têm aí as suas raízes, como é o caso da ONU e da NATO.

Para além destes aspectos históricos, se queremos buscar uma visão mais global deste tipo de tragédias, convém-nos também, em nome da justiça e da verdade, tentar ver o fenómeno do terrorismo, não somente a partir dos seus efeitos (violência e morte) mas também considerando as suas origens e a forma como se mantém (apoios, financiamento, etc…).

 

El tema del terrorismo no es para nada asunto fácil de tratar, ya que, además de ser muy complejo, se presta a muy distintas interpretaciones y lecturas diversificadas. Creo que, igual que yo, tu también te has hecho muchas preguntas en las últimas semanas, no solamente como resultado de los ataques ocorridos en el centro de Paris y de Bamako (Mali) sino, más aún, como resultado de las ‘lecturas’ y conclusiones sacadas por los media, partiendo de aquellos sucesos trágicos. De hecho, tal como yo, también tu puedes verificar la contradicción entre el silencio y el intento de la gente común de vivir con dignidad aquellos dramas, por un lado e, por otro, la insistencia y difusión desproporcionada hecha por los media, durante casi dos semanas.

Por otro lado, los políticos así como los responsables de la cultura y de la sociedad parecen tener dificultad en aprender las lecciones de la história, aprovechando la experiencia de otros que vivieran dramas terribles. Pienso muy especialmente en los dos mayores conflictos armados del siglo XX y también algunas instituciones que ahí tienen sus raíces, como es el caso de la ONU y de la NATO.

Además de estos aspectos históricos, si queremos buscar una visión más global de este tipo de tragédias, es necesario que nosotros, en nombre de la justicia y de la verdad, intentemos entender el fenómeno del terrorismo, no solamente partiendo de sus efectos (violencia y muerte) sino también considerando sus orígenes y la manera como siguen manteniéndose (apoyo, financiación, etc…).

 


n1Daesh: Estado Islâmico do Iraque e do Levante

Daesh: "Estado Islâmico do Iraque e do Levante" na Siria e sua respectiva violencia pelas armas contra crianças no deserto e no medio oriente

Bandeira do Daesh: o auto-proclamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante

Em Junho de 2014 Abu Bakr al-Baghdadi auto proclamou-se califa e deu assim origem ao Daesh, na linha dos grandes e históricos califados, dos quais o último foi o império otomano, que continuou vigente até 1923. Daesh não é mais do que o correspondente latino à sigla árabe que pode ser transliterada como segue: al-Dawla al-Islamiya al-Iraq al-Sham, que significa Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Para além de ser uma sigla, a palavra ‘daesh’ significa também, em árabe, «um intolerante que impõe as suas ideias aos outros», o que não deixa de aplicar-se certeiramente e em especial a este grupo de jihadistas.

A designação não é indiferente. De facto, quando nos referimos ao estado islâmico, estamos a usar palavras da maior consideração a nivel internacional e diplomático, tanto no que se refere a ‘estado’ como também no qualificativo ‘islâmico’. Nem um nem outro são convenientes e, ainda que, o acrónimo Daesh se refira de facto ao mesmo conteúdo, acaba por se fazer menção de um outro significado e uma alusão directa ao sentido pejorativo, enquanto intolerantes e impositivos.

Ao atribuir estes qualificativos, surge-me uma questão, acerca da autoridade, ou inteireza moral, de quem faz estas atribuições e classificações… e penso agora muito concretamente em mim próprio, em ti e, mais ainda em Francois Hollande, Barak Obama, David Cameron e muitos mais, que têm certamente muito de intolerância e de imposição, para não falar de violência nem de terrorismo!

 

n2Origem do Daesh

Os dois responsáveis directos pela guerra do Iraque à esquerda: Tony Blair e George Bush; luta contra o terrorismo; armas e violência; queda de Saddam Hussein

Os dois responsáveis directos pela guerra do Iraque à esquerda: Tony Blair e George Bush

Mais do que escrever os pormenores de como surgiu e se foi fortificando o Daesh, penso que para ti poderá ter maior interesse tentar identificar causas próximas e distantes que expliquem o surgimento e o crescimento vertiginoso deste movimento/grupo armado.

2.1 Causas próximas

Aqui entro no campo da opinião e, por isso mesmo, poderás naturalmente discordar. Para mim, a causa mais imediata para o surgimento do Daesh diz respeito à intervenção armada conjunta dos EUA e da Inglaterra na guerra do Iraque, onde George Bush e Tony Blair se coligaram. É por demais evidente que as motivações evocadas para esta guerra, foram completamente desmentidas, acabando por verificar-se com toda a segurança que as supostas armas químicas de destruição maciça na posse do ‘ditador’ Saddam Hussein não eram mais do que ‘factos’ ou ‘notícias’ forjadas!

F15 e guerra do Iraque/: fabrico e comércio de armamento pesado na luta contra o terrorismo; armas e violência;

Representação de caças F15 no deserto, as armas pesadas usadas durante a guerra do Iraque

Outra razão foi a intervenção militar, liderada pelos EUA, na guerra do golfo, ou “Tempestade no Deserto” em Janeiro de 1991, de acordo com a resolução 678 do conselho de segurança da ONU, cujo objectivo era a libertação do Kuwait que tinha sido anexado pelo Iraque, em Agosto de 1990.

2.2 Causas distantes

Tendo em consideração a importância e a repercussão do Daesh (especialmente no mundo muçulmano), penso que a primeira causa distante é de facto simultaneamente religiosa e política. Ao remontar ao Corão, por um lado, e ao proclamar a implantação de um kalifado, por outro, somos levados a pensar no conceito da arábia unida, que foi parte da propaganda feita em 1916 (durante a primeira guerra mundial), com o fim de facilitar a divisão e partilha do médio oriente, de acordo com o acordo secreto de Sykes-Picot. Esta divisão arbitrária do decadente império otomano em pequenos países, respondendo apenas a interesses ocidentais, mas com a promessa falsa da criação da arábia unida, parece-me uma das maiores razões para o descontentamento e subsequente reacção, que conduziu à proclamação do kalifado por Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Daesh.

Outra razão, que não se prende somente com este caso, mas que mais geralmente gera reacções, críticas e levantamentos populares e/ou armados é a injustiça verificada na diferença da distribuição dos bens e dos recursos.

Estas e outras causas distantes poderão ser vistas com maior detalhe no meu post sobre a crise dos refugiados na Europa, incluindo o video que não podes perder, sob pena de não chegares a perceber o que acontece no médio oriente, há já 100 anos e continua hoje com o mesmo dramatismo.

 

n3Expansão do Daesh

Kalifado, ou Estado Islâmico/Daesh no mundo: construção sem olhar a meios, violência, armas, terror, morte; na Síria, Iraque, Iemen, etc

Kalifado, ou Estado Islâmico/Daesh no mundo

Parece óbvio que o Daesh veio ao encontro da insatisfação sobretudo de duas situações concretas muito graves: por um lado o longo e complexo caos deixado após a deposição de Saddam Hussein e a prolongada estadia das tropas norte americanas, até à sua retirada no final de 2011 e, por outro, à política de repressão e de terror, levada a cabo na Síria, por Bashar-al-Assad, sobretudo após a primavera árabe. Assim sendo, os guerrilheiros inicialmente concentrados no Iraque, em contínua resistência, primeiro aos norte americanos e, em seguida, ao exército iraquiano, foram-se organizando e conquistando posições. Depois vieram a aproveitar-se também da enorme desordem que grassava na Síria, conquistando territórios e cidades tanto junto à fronteira, como no norte. O que não parece estar muito claro são os apoios, e os acordos com as diversas facções da oposição síria: exército livre da Síria; frente islâmica; e al-Nusra, que são os mais radicais, juntamente con o Daesh.

 

n4Questões em aberto

Para além da série de factos e reflexões feitas até este ponto, parece-me pertinente continuar a colocar alguns pontos em discussão, sobretudo devido ao facto de parecerem, até mesmo, assuntos tabú. Refiro-me a assuntos de natureza económica e, portanto, às vantagens e interesses que sempre se sobrepõem a quaisquer outros, deixando-os por isso na sombra ou relegando-os para áreas marginais.

4.1 Fornecedores de armas e munições ao Daesh

F16 made in USA, o primeiro fabricante mundial de armas

F16 feito nos Estados Unidos, o primeiro fabricante mundial de armas

Por diversas, embora muito raras vezes, se tem tocado no assunto do fabrico e comércio de armas. No entanto, sabe-se que, no período de 2010 a 2014, os principais fabricantes/exportadores de armamento foram os EEUU, com 31% do total mundial; a Rússia, com 27%; seguidos da Alemanha, China, França, Reino Unido, com 5%, cada um.

Nos Estados Unidos por diversas vezes veio à tona, na cena política, a questão de fornecer ou não armas aos rebeldes na Síria. Obama parece ter resistido durante muito tempo a tal decisão, mas em 2014 acabou por pedir fundos ao congresso para ‘treino militar’ o que não pôde ser feito sem o envio de todo o tipo de armamento, incluindo o pesado!

4.2 Clientes do petróleo explorado pelo Daesh

O petróleo é a principal receita do Daesh, mesmo após os bombardeamentos de Novembro na Siria e no Iraque, como reacção aos ataques de Paris e Bamako no Mali

O petróleo continua a ser a principal receita do Daesh, mesmo após os bombardeamentos de Novembro

Apesar de haver quem diga (Jung Hoon Lee) que o Daesh não é nem nunca foi uma ameaça séria, basta olharmos para a extensão da crise dos refugiados, que supõe um enorme drama que passa pelo elevado número de vítimas mortais e um número ainda maior de feridos. Por isso mesmo, o kalifado não pode nem deve de maneira nenhuma ser menosprezado.

A verdade é que a ascensão do estado islâmico se tornou possível graças aos abundantes proventos da exploração do petróleo, que muitos ocidentais, e não só, continuam a comprar a preços ‘chorudos’, porque muito longe de qualquer concorrência. Muito poucos compram directamente o petróleo ao Daesh, mas através de intermediários locais, o movimento continua a juntar todos os dias as receitas necessárias ao funcionamento da máquina da guerra e do terror. Após os bombardeamentos levados a cabo em Novembro último, pela Rússia e pela França, o Daesh ainda continua a ter receitas superiores a 1 milhão de dólares diários, porque anteriormente ultrapassavam os dois milhões por dia.

 

Conclusão

O Daesh não constitui nenhum fenómeno isolado, nem constitui uma surpresa, especialmente para as principais nações responsáveis pelo caos que encontramos há tanto tempo no médio oriente. Tal como outros grandes movimentos revolucionários de ontem e de hoje (Sendero luminoso, Al-Shabab, Farc, Hamas, …), tiveram a sua origem e desenvolvimento em situações concretas de instabilidade e insatisfação política, económica e social; o mesmo se passou e continua hoje no médio oriente, onde infelizmente o Daesh não é o único exemplo.

Por isso, parece claro que, sem vontade de enfrentar as  causas reais destes fenómenos, nunca se encontrarão soluções satisfatórias, nem pacíficas, e muito menos humanas… O uso e abuso dos motivos religiosos para explicar tantas guerras e conflitos, sejam eles regionais, nacionais ou internacionais, não ajuda nada a encontrar uma solução, nem conduz a caminhos de reconciliação.

Até quando nos continuarão a inundar de autêntico ruído os meios de comunicação social, em vez de nos esclarecerem sobre as verdadeiras causas do terrorismo e das guerras? Ou melhor, até quando continuaremos a tolerar o que eu chamo desinformação? Sim, porque tu e eu podemos de facto escolher o que decidimos ver e ouvir!…

Se te interessa este post, por favor, deixa o teu comentário, observações ou sugestões e, já agora, partilha-o e divulga-o nas redes sociais!😄 Obrigado e conta comigo especialmente para assuntos humanitários, religiosos, ambientais, etc. Paulo Martins

Europa e Refugiados da Síria: história e futuro da crise

 

Crianças sírias na escola; campo de refugiados em Za’atri, Mafraq, Jordânia syria future europa europe school travel sea familia mar education siria estado islamico

Crianças sírias na escola; campo de refugiados em Za’atri, Mafraq, Jordânia

 

Porque é que centenas de milhares de refugiados continuam a deixar as suas terras e arriscam tudo, até mesmo a própria vida, para poderem chegar à Europa? Porque é que as guerras no médio oriente e na África continuam, algumas delas durante várias décadas, sem solução?

Tu e eu continuamos a perguntar-nos quem são os responsáveis pelos dramas intermináveis da Síria, da África, da América Latina e do mar Mediterrâneo… Hoje, juntamente contigo, quero pensar um pouco neste assunto dos refugiados da Síria e não só, de modo a procurar alguma luz que nos oriente, nesta encruzilhada que estamos a viver …

¿Por qué cientos de miles de refugiados siguen abandonando sus tierras, arriesgándolo todo, incluso la vida misma, con el fin de llegar a Europa? ¿Por qué las guerras en el Medio Oriente y África siguen, algunas de ellas durante décadas, sin solución?

Tú y yo continuamos preguntándonos quienes son los responsables de los dramas interminables de Siria, África, América Latina y del Mar Mediterráneo … Hoy, junto con vosotros, quiero reflexionar un poco sobre los refugiados sirios y de otras partes, intentando buscar un poco de luz para guiarnos en esta encrucijada que estamos viviendo …

 

1. História

Um olhar atento para a história, pode certamente ajudar-nos a entender o presente. E uma questão complexa e de difícil solução, como é o caso da crise dos refugiados da Síria, merece uma atenção especial, por parte da Europa e dos europeus, particularmente.

 

1.1- Grandes impérios

Na idade média chegaram da Ásia central os turcos, que fundaram o Império Otomano, que durou até à primeira guerra mundial

O Imperio Otomano durou mais de 600 anos

Ninguém se admira se dissermos que o médio oriente foi o berço da civilização que hoje se designa como ocidental. Basta recordar a Suméria e a Mesopotâmia. Sucessivamente, a mesma região foi sendo dominada por diferentes povos e culturas, entrando por isso a fazer parte de diferentes impérios: medo e/ou persa, grego, romano, islâmico e, a partir da idade média, o império otomano. Este último controlou o médio oriente durante mais de seiscentos anos e só no início do século XX é que a Europa veio a tomar parte activa naquela área geográfica, tendo em vista, indiscutivelmente, as enormes reservas de petróleo aí presentes.
Como se isto fosse pouco, a sua importância e centralidade é também fortemente marcada por estar na origem das três grandes religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo.

 

1.2- I Guerra Mundial

Foi assim que, durante a primeira guerra mundial, a França e a Inglaterra, fizeram um acordo secreto (acordo de Sykes-Picot, 1916) para dividir a região numa série de pequenos países. Conseguiram o apoio dos povos residentes, prometendo-lhes o que eles designaram “Grande arábia”, mas que nunca passou de um embuste. Pelo contrário, os pequenos países são apenas formas de dividir e controlar, com o único objectivo latente de explorar as reservas petrolíferas.

 

1.3- II Guerra Mundial

Segunda guerra mundial: Dia D; desembarque na Normandia. Europa, Europe, mar, war, borders, death, border, different, fear

Segunda guerra mundial: Dia D; desembarque na Normandia

No final da segunda guerra mundial os europeus abandonam a região, com a particularidade de terem ‘sido corridos’ da Síria. Porém, antes de saírem, os ingleses fundam un novo país – Israel, que nunca foi reconhecido pelos seus vizinhos, os quais imediatamente começam a atacá-lo. A região tornou-se então numa autêntica bomba relógio que, até hoje, nunca deixou de produzir vítimas!
A Síria continua muito instável. Surge então o partido BAAZ, uma formação política que une o socialismo com o sonho da grande nação árabe. A Síria une-se com o Egipto e outros países também querem unir-se, pois nunca esqueceram o sonho da ‘Grande Arábia’.
Os governantes sírios pertencem à minoria chiíta. Mas a maioria sunita (70% da população) comandada pela irmandade muçulmana (extremistas islâmicos) começa uma revolta em Hamã. Al-Assad esmaga a revolta, recorrendo ao exército, matando e prendendo muita gente. No ano 2000 morre o presidente e sucede-lhe o filho, com o mesmo nome, que continua a recorrer à força e à prisão indiscriminada para controlar a oposição.
George Bush inclui a Síria no chamado ‘Eixo do Mal’, isolando-a. Em 2011 começa a ‘primavera árabe’ que se estende a praticamente todo o mundo muçulmano. Quando chega à Síria, Al-Assad recorre ao exército para controlar os protestos. Mas a escalada de violência acaba por se converter em guerra civil.
Hoje, o governo de Al-Assad (chiíta) conta com o apoio da Rússia, do Irão e da China. Por outro lado a oposição e islamistas radicais (sunitas e irmandade muçulmana) contam com o apoio dos EEUU, Turquia, França, Grã-Bretanha e Arábia Saudita.

 

1.4- Análise – Opinião

A Síria é uma zona estratégica que todos querem. Agudiza o problema o facto de este país existir há menos de cem anos e ter governo próprio há apenas cinquenta! Além disso, as suas fronteiras foram impostas com base em interesses externos (ocidente). Estas observações, quando somadas aos acontecimentos das últimas décadas, demonstram como uma área geográfica tão central não pode ser deixada como presa… como um simples objecto de interesses de uns quantos déspotas… Após tantos anos de guerra, exploração e de desespero, não é de estranhar que surjam movimentos, como o ISIS, que se alimentam de uma mistura explosiva de ingredientes: o desespero, o sentimento de opressão (sunitas), a identidade árabe, a visão do ocidente como invasor e, inclusivamente, a mitologia de antigos impérios.

Como aprofundamento, proponho-te o resumo apresentado en vídeo, porque pode ajudar-te a esclarecer o passado e o presente do médio oriente e do mundo ocidental, como o conhecemos hoje.

 

2. Invasão da Europa em curso?!

Verificam-se receios por parte de alguns de que esteja em curso um processo agendado de invasão da Europa. Têm fundamento tais medos? Fixemo-nos nos números, partindo dos dados de UNHCR: a guerra civil síria gerou 4,18 milhões de refugiados (à data da publicação deste post), acrescidos de 7,6 milhões de deslocados internos. Dos mais de 4 milhões de refugiados, somente os 4 países vizinhos albergam mais de 3,5 milhões, enquanto a União Europeia recebeu, até Agosto de 2015, 420 mil refugiados sírios. Esta cifra representa 0,084% da população europeia (cerca de 500 milhões no seu conjunto) e é irrisória, comparada com os 20% que representam os 1,147 milhões de refugiados sírios que o Líbano já acolheu! Aproveitando de todas as vantagens de uma infografia, aqui te apresento uma imagem elucidativa destes números.

 

Infografia: Refugiados da Síria no Mundo e na Europa

 

3. Escalada de Violência

Há momentos pensámos um pouco no ‘barril de pólvora’ malévolamente preparado no médio oriente, pelos países ocidentais ni início do século XX. O que parece nunca ter estado nos seus planos nem previsões é a escalada de violência que se tem verificado, especialmente após a proclamação do assim chamado estado islâmico (ISIS), a 29 de Junho de 2014 (ver infografia). Uma análise significativa deste fenómeno foi feita por Leonardo Boff, no seu artigo: Um enigma humano: a violência pela violência do Estado Islâmico, de 13 de Junho de 2015.
Parece evidente que uma grande parte das atrocidades levadas a cabo pelo estado islâmico afunda as suas raízes particularmente nos últimos cem anos da história da região (cf. 1. História).

Principais países envolvidos no acolhimento dos refugiados; Os responsáveis pelos dramas intermináveis da Síria, da África, da América Latina e do mar Mediterrâneo... Hoje quero pensar um pouco neste assunto dos refugiados da Síria (Siria e Syria)

Infografia graciosamente cedida pela Além_mar

 

4. Pare, escute, e olhe! …aproveite para pensar

Uma crise humanitária de semelhantes dimensões não tem explicações simples nem imediatas. Vivemos num mundo onde o acesso à informação praticamente se generalizou. Mas, por outro lado, nem sempre se verifica a conformidade, a verdade, nem estamos acostumados a verifica a informação, bem como a sua fonte!
Especialmente nas redes sociais pode verificar-se (já aconteceu) a difusão fácil e rápida de mentiras, ou boatos, destinados a confundir e a desinformar. Temos todos que estar alerta, para não nos deixarmos enrolar. Cabe aqui recordar uma série de perguntas, que não te vão surpreender:

  • De onde vem a informação e quem a produziu?
  • Que objectivos pode ter o autor com a sua divulgação?
  • Os dados divulgados são verdadeiros? Posso confirmar a sua veracidade? Fazem sentido?
  • Não encerram contradições? As datas batem certo?
  • Não encerram contradições? As datas batem certo?
  • Posso confirmar esta informação com uma fonte diferente, para a verificar?

Se nos dispomos a seguir este procedimento, já iniciámos um processo extra de aprofundamento do tema e de reflexão que nos vai ajudar a perceber melhor a realidade no seu conjunto. Deste modo, depois de bem informados, podemos tirar as nossas próprias conclusões.
No caso dos refugiados sírios, ao procurarmos entender o que realmente se está a passar, deparamo-nos com um mundo complexo de factores que progressivamente levaram à situação que actualmente se vive e que parece concentrar-se na área do mar mediterrâneo, ainda que não se limite àquela região. De facto existem muitas outras situações igualmente graves no mundo de hoje, ainda que não tenham merecido (quase) nenhuma atenção mediática.

 

Conclusão

Bebé sírio de um mês dorme nos braços da mãe

Bebé sírio de um mês dorme nos braços da mãe

Como acabas de ver, uma tragédia destas dimensões não pode ser simplificada nem manipulada, de modo a continuar prisioneira dos interesses mesquinhos do sistema económico e político que lhe deu origem. Pelo contrário, é necessário informar-se muito bem, aprofundar a história e não só, para poder escapar às armadilhas das visões parciais, por um lado e das perspectivas tendenciosas e manipuladas, por outro.

Não toquei aqui nos temas do emprego, do subemprego, nem do trabalho precário. Mas pode deduzir-se o sistema chamado neo liberal (capitalista) como primeiro responsável pelo agravamento das condições de trabalho a nível global. No contexto desta crise humanitária, com a chegada de uma quantidade enorme de famílias inteiras, podemos intuir o interesse do ‘sistema’ em alimentar o contraste/conflito entre os recursos laborais europeus e os recursos em constante chegada, no contexto desta crise humanitária. A situação real de uns e de outros fica assim fragilizada e os únicos a tirar partido são as cúpulas do sistema, naturalmente…
Parece-te que este artigo pode ajudar a interpretar a enorme quantidade de informação que a todo o momento nos inunda? Que sugestões darias tu para melhor se poderem verificar as informações que nos chegam por todos os meios (TV, radio, redes sociais, jornais, …)? Encontras outras formas de aprofundar e de continuar a reflexão sobre temas tão urgentes como: a) O acolhimento dos refugiados? b) A máquina que produz tais ‘avalanches’?

 

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Mineração: Rede inovadora em defesa da Terra, água e ar

 

Área de mineração: poluição da terra, ar e água

Como seria a tua vida nas proximidades de uma área de mineração?

Já alguma vez pensaste de onde vêm as matérias primas aplicadas no fabrico de tudo aquilo que constantemente usas ou consomes, tanto de dia como de noite? Consegues imaginar como seria a tua vida, caso morasses nas proximidades de uma mina a céu aberto? Convido-te a imaginar especialmente:

  • a paisagem,
  • o ar,
  • a água,
  • o rio,
  • as plantas,
  • os animais… e …
  • … as pessoas afectadas, em maior ou menor escala, pela poluição.

Creio que estarás de acordo sobre a necessidade da extracção mineral mas, como chegar a uma mineração verdadeiramente ecológica, feita com justiça, em respeito pela natureza, pelas pessoas e pela Terra?

Juntos vamos tentar dar uma resposta, depois de entrar nesta problemática e de conhecer os esforços de tantas comunidades e associações, no sentido de conseguirem equilíbrio, justiça e dignidade.

 

Necessidade da Mineração

A exploração dos recursos minerais remonta à origem da humanidade e parece evidente que irá continuar a ser uma actividade necessária à vida humana na terra. Também é claro que o crescimento da mineração tem vindo a evoluir exponencialmente, atingindo nas últimas décadas volumes insustentáveis. Se quisermos explicar este facto, à partida podemos apresentar, como principais causas, o crescimento demográfico e o desenvolvimento científico e tecnológico.

São justos os meios e critérios aplicados pelas empresas mineiras?

São justos os meios e critérios aplicados pelas empresas mineiras?

No entanto, podemos também perguntar-nos se as empresas mineiras (locais, nacionais ou transnacionais) não estarão a perseguir estes mesmos ou outros objectivos, com critérios exclusivamente económicos e financeiros, utilizando para tal meios pouco ou nada éticos, para não dizer desumanos…

 

Mineração e Conflitos

A vida dos povos e respectivas culturas sempre esteve ligada a um território, conceito com  diferentes matizes, segundo se trate de culturas nómadas ou sedentárias. Mas a ligação a uma maior ou menor extensão de terra está invariavelmente presente.

O instinto de sobrevivência, que não é mais do que uma reacção natural de qualquer indivíduo que se encontra em perigo, está na base da maior parte dos conflitos, sejam eles pessoais, regionais, nacionais ou mundiais.

As comunidades humanas directamente afectadas pela extracção mineral têm vindo a tomar consciência da sua situação profundamente injusta, onde elas mesmas são deixadas no esquecimento; na melhor das hipóteses, são apenas utilizadas como força de trabalho.

Conflitos mineiros: os interesses das empresas chocam com a vida das pessoas, verificando-se um forte impacto ambiental

Conflitos mineiros: os interesses das empresas chocam com a vida das pessoas

Como resultado desta tomada de consciência, os conflitos originados pela exploração mineira têm vindo a crescer em frequência e intensidade. Segundo o Observatório dos Conflitos Mineiros da América Latina (OCMAL), somente naquele continente, há registo de 210 conflitos, em 19 países; somando os conflitos registados somente no México, Peru e Chile, obtemos mais de metade do total.

 

Mineração com Justiça

Um padrão que se tem vindo a verificar é que, na fase de lançamento dos projectos de extracção mineral, se procura levar as comunidades humanas locais a acreditar numa série de benefícios directos decorrentes, nomeadamente:

  • As possibilidades de emprego
  • O crescimento da economia local
  • A melhoria das condições de vida, com o lançamento de iniciativas de carácter social, etc.

Mas, invariavelmente, depressa as promessas caem no esquecimento e a dura realidade cai como uma autêntica catástrofe sobre a natureza e a população.

vida nas proximidades de uma exploração mineira

vida nas proximidades de uma exploração mineira

À partida, as questões da justiça são, segundo creio, universais e, para que uma actividade possa ser considerada minimamente justa terá que respeitar pelo menos estes dois aspectos:

  1. A distribuição dos bens e dos benefícios tem que ser equitativa e, portanto, no nosso caso, se uma empresa, transnacional ou não, extrai um mineral e tem, como único critério, a maximização do lucro, já está a ser injusta, pelo simples facto de se apropriar de algo que não é exclusivamente seu.
  2. Os danos causados, quer na natureza, quer nas pessoas, devem ser justamente compensados.

A associação Justiça nos Trilhos tem vindo a trabalhar em duas vertentes:

  • Ajudar a criar consciência nas pessoas lesadas, devido à falta de respeito destes aspectos (ver acima)
  • Fazer com que as empresas de mineração paguem os danos infligidos, aos vários níveis, dando prioridade à saúde das pessoas, naturalmente.

 

Mineração e Ecologia

A Terra não pode mais suportar os maus tratos que lhe são infligidos a todo o momento. Tristes e alarmantes exemplos são:

  • O estado de degradação dos rios, mares, oceanos e a contaminação da água;
  • A poluição atmosférica, associada à destruição das florestas e respectiva biodiversidade (humana e cultural, incluída).
O nível de poluição das águas nos nosso dias é algo surreal...

O nível de poluição das águas nos nosso dias é algo surreal…

As questões relacionadas com a mineração e suas implicações na ecologia, por um lado, e nas comunidades humanas afectadas, por outro, levaram ao surgimento, nas últimas décadas, de uma grande variedade de associações e organizações empenhadas em minorar e, tanto quanto possível, evitar os abusos.

É necessário um equilíbrio e atenção constantes, tanto no âmbito da ecologia humana como ambiental. Para além de não piorar as condições de vida das pessoas e comunidades, as empresas (locais ou transnacionais) terão que ser legalmente levadas a partilhar, com as mesmas comunidades, os benefícios das explorações mineiras. Isto supõe a criação de regulamentos bem como a sua aplicação efectiva. O mesmo deverá ser feito relativamente ao ambiente (paisagem, florestas, água, biodiversidade, etc.).

Sobram os exemplos de impacto ambiental catastrófico mas, por outro lado, também há que divulgar os casos de sucesso, nada fáceis de encontrar.

Poluição sonora e do ar associadas ao transporte de minério

Poluição sonora e do ar associadas ao transporte de minério

Os minerodutos e caminhos de ferro são parte do impacto da mineração. A poluição do ar, da água e sonora afectam negativamente o ambiente natural e humano, proporcionalmente à proximidade destas vias, como é fácil deduzir.

 

Rede ‘Iglesias y minería’

Vendo como a problemática relativa à exploração mineira tinha certas constantes, de país para país, na América Latina, as diversas associações de defesa das comunidades locais, de defesa do meio ambiente e da biodiversidade foram colocando em comum as suas experiências, mas foi a necessidade de maior efectividade na acção que conduziu à fundação da ‘Rede Latino-Americana Iglesias y Minería‘. Este processo teve dois momentos marcantes:

  1. Lima, Peru: Em Novembro de 2013 reuniram-se cerca de 30 pessoas ligadas às comunidades afectadas pela mineração, provenientes de diversos países. Depois de verificarem a semelhança dos problemas e situações, nas experiências partilhadas, decidiram organizar um encontro maior, a nível continental.
  2. Brasília, Brasil: Realizou-se em Dezembro de 2014 e o tema escolhido foi: “Igrejas e Mineração – uma opção em defesa de comunidades e territórios” e contou com representantes de 13 países latinoamericanos e teve o apoio do CLAI (conselho latinoamericano de igrejas).

Esta rede actualmente integra 70 associações e organizações civis e religiosas, umas nacionais e outras internacionais.

 

Conclusão

Tu e eu não somos nenhuns especialistas numa matéria tão difícil como esta, enquanto abarca muitos aspectos globais:

  • ecologia
  • economia e finanças
  • ordem económica
  • mudanças climáticas
  • biodiversidade, etc…

No entanto, depois de uma breve análise das actividades de mineração, em relação com a ecologia ambiental e humana, sem esquecer a sua importância económica, estratégica e política, verificámos e, aqui, reafirmamos a necessidade de se estabelecerem marcos legais que definam o justo equilíbrio de interesses, por forma a que sejam salvaguardados os interesses dos excluídos, no significado mais geral da palavra (meio ambiente, natureza, flora e fauna, terra, comunidades locais).

Uma organização, como é o caso da Rede Latino-Americana Iglesias y Minería, joga um papel fundamental no sentido de atingir tais objectivos.

Mineiros de Santa Catarina, Brasil: Quando vão ser salvaguardados os interesses dos excluídos?

Mineiros de Santa Catarina, Brasil: Quando vão ser salvaguardados os interesses dos excluídos?

 

Parece muito evidente a actualidade de temas como a ecologia e a preservação do meio ambiente, mas a implicação da exploração mineral na ecologia, já não é tão discutida… Como pensas que se poderia criar maior interesse à volta da mineração, enquanto factor preponderante de risco para a ecologia?

Como julgas que as futuras gerações irão valorizar a nossa actuação no campo da gestão ambiental e como irão elas apreciar o papel de uma rede de defesa da terra, como a que acima mencionei?

 

Antes de terminar, resta-me agradecer o teu interesse neste assunto e desafiar-te a deixar aqui a tua opinião, sugestão, ou comentário e, porque não, partilhar este post com os teus contactos e/ou amigos! 😄

Paulo Martins, MCCJ

#familiacomboniana

Dieta saludable para todos u Obesidad, sobrepeso y Hambre

 

Mientras unos comen y desperdician otros no tienen suficiente para vivir

 

La Expo Mundial quiere servir de escaparate mundial y “mostrar lo mejor de sus tecnologías para dar una respuesta concreta a una necesidad vital: garantizar una alimentación saludable, segura y suficiente para todos los pueblos, respetando el planeta y el equilibrio de sus ecosistemas”. El evento es, por eso, una ocasión para que los ciudadanos y las organizaciones piensen en los problemas de la alimentación en el planeta.

 

paradojas en el mundo o planeta Pero hay unas cuantas paradojas

 

escandalo de la abundancia y del hambre

Escándalo de la abundancia y del hambre

item1 1. La más evidente es que hay alimentos suficientes para todos, pero ni todos pueden  comer. En el mundo, según la FAO, hay 805 millones de hambrientos. Si por una parte la comida no falta, sigue existiendo un problema de aceso a los alimentos, que apenas están disponibles para aquellos que pueden comprarlos.

item2  2. 500 millones de obesos viven al lado de los más de 800 millones de hambrientos y, como si esto fuera poco, más de mil millones tienen sobrepeso. Cerca de 65 por ciento de la población mundial vive en países donde las consecuencias de comer en exceso causan más muertes que la misma malnutrición (ver Datos OMS).

item3  3. Por último, persiste también el escándalo del desperdício alimentario. Son toneladas de comida tiradas y así mismo transformadas diariamente en basura. Es a la vez un insulto a quienes sufren el horror del hambre y un abuso de los bienes de la creación.

 

enscandalo hartura versus hambre Grande escándalo de la humanidad

En el día de la inauguración de la Exposición, el Papa Francisco denunció la “paradoja de la abundancia” y la cultura del consumismo y del descarte. Apeló a la globalización de la solidaridad: “Hagamos que esta Exposición Universal sea una ocasión para cambiar la mentalidad; que cambie nuestro modo de pensar que sigue admitiendo que nuestras acciones cotidianas – en sus distintos niveles y responsabilidades – no tienen impacto sobre la vida de las personas, próximas o lejanas, que tienen hambre y no se alimentan de un modo digno de un ser humano. Estoy pensando en tantos hombres y mujeres que sufren el hambre y, especialmente, en la multitud de niños que mueren de hambre”.

 

En nombre de los pobres, que “con dignidad, intentan ganar el pan con el sudor de su frente”, Francisco afirmó: “Mi deseo es que esta experiencia permita a los empresarios, comerciantes y estudiosos, sentirse envueltos en un ‘gran proyecto de solidaridad’: nutrir el planeta, respetando cada hombre y cada mujer que lo habita y respetando el medio ambiente. Aquí está el desafío al cual Dios llama la humanidad de este siglo XXI: parar, por fin, de abusar del Jardín que Dios nos ha confiado, para que todos puedan comer de sus frutos. Asumir un proyecto tan grande es dar plena libertad al trabajo de quienes producen y quienes investigan en el sector alimentario”.

 

Cosecha de arroz en Bangladesh

Cosecha de arroz en Bangladesh

 

icono de la solidaridad global del planeta Conclusión

La Expo Milan 2015 destaca una realidad injusta, cruel y escandalosa de la história de la humanidad: la pobreza y el hambre caminan a par y paso con la obesidad y el desperdicio. Millones de seres humanos, hermanos nuestros, no tienen derecho a alimentarse, pero no es porque falten alimentos. La tierra es fertil y generosa; hoy se producen en media un 17,5% más alimentos por persona que en 1985 (ver actualidad.rt.com). Lo que falta es repartir el pan de cada día en la paz y fraternidad, como nos recuerda el Papa Francisco.

 

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icono idiomas

Después de mi breve estadía en Madrid y de terminar el curso de Community Manager en AulaCM, regresé a Portugal y dentro de pocos meses partiré como misionero para Brasil. Por eso, se me hace necesario cambiar de idioma. Aprovecho ahora mismo para dar a conocer que a partir de ahora paso a publicar este blog en portugués. Me gustaría muchísimo hacerlo en los dos idiomas, pero ahora se me hace difícil. Volveré a plantear esa hipótesis en el futuro. Les invito a todos, especialmente a mis compañeros, profesores y seguidores/lectores a seguir visitando mi blog, aunque al inicio se necesite un poquito de paciencia. Gracias y seguimos comunicándonos. 😀 🌎

 

Articulo adaptado e traducido de Familia Comboniana (Ir. Bernardino Frutuoso) ver: http://www.combonianos.pt/dlds/JFCJulAgo2015.pdf

Images by: Locator / Foter / CC BY-NC-SA

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📢Participa📢Participa…📢

¿Y tú cómo ves el tema de la alimentación saludable? ¿Crees que la alimentación de las personas de tu entorno es saludable y equilibrada? 😄 Gracias por tu comentário u observación 😄

#alimentacion-saludable, #dieta-saludable, #educacionjuvenil

¿Que evaluación haces tu de los 8 objetivos del milenio?

Todos nosotros estamos más o menos acostumbrados a marcarnos objetivos, metas, y fijamos unos tiempos y métodos para alcanzar dichos objetivos. También la ONU en el año 2000 se fijó unas metas, a las que llamó Objetivos del Milenio (ODM), enderezadas a combatir la pobreza, en ocho dimensiones distintas, y se fijaba el año 2015 como término para llegar a dicha meta.

 

Niña de Kyrgyzstan: Los niños han sido los grandes beneficiarios del programa

Niña de Kyrgyzstan: Los niños han sido los grandes beneficiarios

Una buena parte de los ODM fueron alcanzados, no al 100%, pero sí en porcentajes bastante elevados y quiero resaltar las cifras de educación (91%), sanidad, reducción de la mortalidad infantil y igualdad de género, según el informe de 2015, de la ONU, relativo a los Objetivos de Desarrollo del Milenio. Vamos pues a ver algunas cifras más significativas.

 

hand-11. Erradicar la pobreza extrema

Como ya sabes, el sistema económico no está para nada orientado a la erradicación de la pobreza; pero aún así, se han logrado muy buenos resultados, puesto que el número de personas viviendo en pobreza extrema ha pasado de 1900 millones (1990) a 836 millones, en junio del corriente año.

Otro dato es que se ha triplicado la cantidad de personas que, a día de hoy, viven con un promedio de cuatro dólares diarios. En lo tocante a la malnutrición, la cifra de personas en esas condiciones pasó a ser la mitad, más bien lejos de alcanzar el objetivo.

Total, que los progresos son buenos y aportan mucha esperanza, pero no olvidemos que los objetivos eram rotundos y claros, por tanto queda pendiente el alcanzar dichos objetivos, en este campo.

 

school43 2. Llegar a la enseñanza primaria para todos

 

Han sido grandes los progresos en la educaión primaria y secundaria

Han sido grandes los progresos en la educación primaria y secundaria

En lo relativo a la enseñanza primaria hubo progreso significativo en la tasa neta de matriculación de niños en edad escolar; dicho progreso fue de ocho puntos porcentuales, entre el año 2000 y el 2015, cuando la tasa de matriculación era de 83% y 91%, respectivamente. Subrayo aquí lo ocurrido en África subsahariana, donde ese progreso fue de veinte puntos porcentuales: pasó de 60% en el año 2000 a 80% en el 2015.

Globalmente, la alfabetización de los jóvenes de entre 15 e 24 años tuvo también un progreso significativo, pues ha pasado de 52% en el año 2000 a 83% en 2015, progreso que se debe a una apropiada estrategia de enseñanza.

heart1483. Igualdad de géneros y empoderamiento de la mujer

Los progresos en la igualdad de género son positivos. Empezando por la participación en la enseñanza primaria y secundaria, los países en desarrollo han eliminado, casi totalmente, la disparidad entre chicas y chicos, como es el caso de Asia meridional, donde por cada 100 chicos en la escuela, había 74 chicas en 1990, mientras que hoy ¡a cada 100 chicos corresponden 103 chicas!

En el mundo laboral las mujeres han pasado del 35% con empleo no agrícola en 1990 al 41% en la actualidad y entre 1990 y 2015 el porcentaje de mujeres con empleos vulnerables ha bajado 13%. En cuanto a la participación política, en 90% de los parlamentos de 174 países hay mujeres, pero el promedio es de una mujer por cada cinco hombres.

baby234. Rebajar la mortalidad de los niños con menos de 5 años

Los progresos en el cuidado y salud infantil han sido considerables

Los progresos en el cuidado y salud infantil han sido considerables

Igual que a mí, creo que también a ti te parece que esta es una de las batallas más importantes que hay que ganar y tenemos que celebrar los logros alcanzados hasta la fecha. De los 12,7 millones de niños con edad inferior a cinco años que murieron en el año de 1990, cifra que corresponde a 90‰, pasamos en la actualidad a 43‰ que es bastante inferior a la mitad.

La aplicación de al menos una dosis de la vacuna contra el sarampión ha llegado a 84% de los niños en 2013 (lo que pudo evitar 15,6 millones de muertos) mientras que en el año 2000 apenas se vacunaron 73%. El resultado es que la reducción de casos relatados de esta enfermedad se redujo un 67% en aquel periodo.

pregnancy25. Promocionar la salud materna

La tasa de mortalidad materna global ha bajado un 45%, desde 1990 hasta 2015 y más de 71% de todos los nacimientos fueran atendidos por personal cualificado; esto corresponde a un progreso de 59%, relativamente al año de 1990.

África del norte registró un aumento del porcentage de asistencia prenatal (con un mínimo de 4 visitas) del 50% al 89% de las mujeres embarazadas, en el mismo periodo.

disease6. Combatir enfermedades como VIH/SIDA, paludismo, tuberculosis

Se ha registrado una disminución importante en las infecciones de VIH/SIDA

Se ha registrado una disminución importante en las infecciones de VIH/SIDA

Las nuevas infecciones de VIH/SIDA han bajado un 40% del año 2000 al 2013, passando de 3,5 a 2,1 millones el total de nuevas infecciones. Las personas infectadas que eran tratadas con antirretrovirales han pasado de 800 mil (2003) a 13,3 millones en el 2013 y el total de muertos que se evitaron fue de 7,6 millones, entre 1995 y 2013.

El paludismo, siendo uno de los dramas más extendidos en África subsahariana, vio reducida la cantidad de óbitos en cerca de 6,2 millones, entre el año 2000 y el 2015. Gran parte de este logro se debió a la distribución, entre 2004 7 2014, en la misma región, de más de 900 millones de mosquiteras impregnadas con insecticida.

Se estima que pudieron ser evitadas alrededor de 37 millones de muertes por tuberculosis, desde el año 2000 hasta el 2013, dato que representa una caída de 45% en la tasa mundial de mortalidad, mientras que la tasa de prevalencia (resistencia) bajó 41%.

hand2207. Garantizar la sostenibilidad del medio ambiente

Se registraran importantes progresos, pues se han eliminado prácticamente todas las substancias responsables del agujero de ozono y se prevé su total recuperación a mediados del siglo XXI. El aumento de las áreas terrestres y marinas protegidas es significativo en muchas regiones; el mejor ejemplo viene de America Latina y del Caribe, donde casi se triplicó el total de dichas áreas entre el año 2000 y 2014.

En el mundo, el porcentaje de personas con acceso a água mejorada pasó de 76% en 1990 a 91% este año y 58% de la población mundial tiene agua potable suministrada ¡directamente en su casa! Un total de 147 países han logrado la meta del agua potable y 95 ya consiguieron la meta del saneamiento, mientras que solamente 77 han alcanzado ambos. Finalmente, en los países en desarrollo, la población urbana que vive en barrios marginales se ha reducido del 39,4% en el año 2000 al 29,7% en 2014.

society 8. Fomentar la cooperación mundial para el  desarrollo

El aumento de la cooperación internacional fue un dato positivo

El aumento de la cooperación internacional fue un dato positivo

Entre el año 2000 y 2015 el valor total gastado en asistencia al desarrollo verificó un aumento de 66%, que corresponde al paso de 81 a 135,2 millones de dólares. Cinco países del norte de Europa sobrepasaron la meta da la ONU, que supone la contribución con 0,7% del producto nacional bruto.

Las importaciones de bienes y productos desde los países en desarrollo, totalmente libres de tasas aduaneras, han aumentado también: del 65% (2009) pasaron al 79% a fines del año pasado.

En lo que va de año, la cobertura móvil ya llegó al 95% de la población en el mundo y las subscripciones a los móviles casi se multiplicó por diez en los últimos 15 años, al pasar de 738 millones a 7 mil millones en la actualidad; no es para nada novedad el que hay personas que tienen dos suscripciones en un sólo móvil o varios móviles… También internet ha crecido muchísimo: en el año 2000 tan sólo 6% de la población tenía acceso, pero hoy ¡el 43% ya está conectada!

Conclusión

Me parece que hay buenos logros y que los progresos son alentadores. Las cifras muestran mejorías considerables, pero esto no puede hacer que olvidemos las condiciones de vida de tantos y tantas que aún hoy siguen hundidos en dramas de distinto cariz y pienso en todos los que son discriminados a causa de su etnia, discapacidad, religión, sexo, edad o ubicación geográfica. Para mi estos siguen siendo los más vulnerables.

¿Y a ti, te parece que son buenos los logros alcanzados? ¿Que interrogantes te plantea la lectura de este breve articulo? ¿Que preguntas te estás haciendo ahora mismo? ¿Te parece que estos asuntos afectan solamente a los ‘profesionales’ del desarrollo?

Si te gusta conocer más o profundizar en el tema, puedes visitar la página de ONU o, entonces descargate aquí mismo el informe 2015 de ONU sobre los Objetivos del Milenio. ¡Buena lectura!

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